O Grupo dos Amigos de Olivença saúda a realização, em Olivença, das comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, que tiveram lugar no passado dia 10 de junho, no Museu Etnográfico “González Santana”, reunindo dezenas de participantes em torno da cultura e da identidade portuguesas.
O programa teve início com a apresentação do livro Sombras na Raia, da autoria do escritor elvense Nuno Franco Pires. A obra constitui um importante testemunho sobre a realidade das comunidades raianas e sobre os laços de solidariedade e entreajuda que historicamente uniram os povos da fronteira luso-espanhola, em particular durante períodos difíceis como a Guerra Civil Espanhola.
Seguiu-se a visita à exposição de aguarelas Chaminés Alandroal, do artista português Víctor Rosa. A mostra, dedicada a um dos elementos mais emblemáticos da arquitetura tradicional portuguesa, proporcionou aos visitantes uma interessante viagem pela riqueza patrimonial e estética do Alentejo.
As comemorações culminaram com um concerto de fado interpretado por Leonor Alegria e Duarte Silvério, acompanhados por Paulo Cachinho, na guitarra portuguesa, e Joaquim Ferreira, na viola de fado. O espetáculo constituiu um momento de grande qualidade artística e de celebração da cultura portuguesa, sendo calorosamente acolhido pelo público presente.
Para além do mérito intrínseco desta iniciativa, o Grupo dos Amigos de Olivença considera particularmente relevante o crescente número de eventos culturais que, nos últimos anos, têm vindo a realizar-se em Olivença, centrados na valorização da língua, da história, das tradições e das expressões artísticas portuguesas. Este assinalável incremento de iniciativas constitui um sinal encorajador da vitalidade da herança cultural portuguesa na cidade e da vontade de muitos oliventinos em preservar e redescobrir as suas raízes.
Mais do que simples manifestações culturais, estes encontros representam frequentemente momentos de reencontro com uma identidade histórica que permanece viva na memória coletiva de Olivença. Neles, muitos oliventinos encontram uma oportunidade para revisitar os laços que unem a sua terra a Portugal, reafirmando uma portugalidade que resistiu ao tempo, às circunstâncias políticas e às tentativas de apagamento da memória histórica.
Poder-se-á mesmo dizer que, em ocasiões como esta, se esbate a melancólica saudade de uma pátria da qual os oliventinos foram forçosamente apartados pelas vicissitudes da História. A cultura, a língua, a música e as tradições assumem então o papel de pontes entre o passado e o presente, permitindo que uma identidade secular continue a ser reconhecida, celebrada e transmitida às novas gerações.
A Direção do Grupo dos Amigos de Olivença congratula-se com a realização deste tipo de eventos e reafirma o seu compromisso na defesa, valorização e divulgação do património histórico, cultural e identitário português de Olivença, certo de que cada iniciativa deste género contribui para fortalecer os laços que unem Olivença à sua matriz histórica portuguesa.